O áudio é uma paixão antiga de JVH, que lhe desperta sentimentos muitas vezes antagónicos. Eis como ele ou(viu) o High End 2017 e atribuiu os prémios não consoante o som mas o seu…‘estado de espírito’ ao ouvi-lo.
Prémio Autenticidade
Já alguma vez sentiu a sensação de autenticidade musical quando entrou numa sala? Eu senti isso mesmo quando entrei na sala das Wilson Benesch/CH Precision. Always a good sign…
Prémio Beldade
Prémio Celebridade
Com este maravilhoso giradiscos, a Pro-Ject, que é austríaca, faz a justa homenagem ao 75º Aniversário da Filarmónica de Viena.
Prémio Concentricidade
A pequena KEF LS50, que eu vi nascer, cresceu e tornou-se autónoma, com amplificação própria e funções digitais.
Prémio Continuidade
Celebrar 40 anos num mercado em constante mutação só é possível quando se fabricam produtos de qualidade. A Dynaudio atingiu a ‘doçura dos 40’ com a linha Special Forty, que pretende ser o repositório de todo o conhecimento acumulado ao longo de 40 anos, num produto acessível para um público alargado. Parabéns, Dynaudio!
Prémio Complementaridade
As Wilson Audio Alexx ficaram vermelhas de prazer quando foram convidadas a actuar com a famosa banda Nagra. O conjunto prévio/monoblocos HD não é apenas HD de nome. A alta definição ouve-se e as Alexx deixaram passar a música, toda a música. Grande som.
Prémio Criatividade
A McIntosh faz parte do mesmo grupo da Audio Research e Sonus faber. Mas gosta de exercer o seu direito à individualidade criativa. As suas salas têm sempre um toque de criatividade cenográfica.
Este ano conseguiu criar um mundo futurista, onde o passado e o presente se confundiam no tempo e no espaço. Lindo!
Prémio Divindade
A Quad tem na religião audiófila um estatuto de ‘divindade’ britânica, mesmo depois de ter sido vendida a um grupo chinês. A nova coluna ELS60, mais esbelta que a anterior ESL2912, é uma tentativa de manter vivo o culto electrostático na sua pureza original.
Curioso ninguém ter falado nela. Talvez porque estivesse a tocar apenas no Hotel Marriot, que fica fora do âmbito do High End.
Prémio Eléctrico Chamado Desejo
Um par de Vivid Giya 1 em amarelo elevador da Glória. Simplesmente glorioso.
Prémio Esfericidade
La Sphère, da francesa Cabasse, é a epitomização da esfericidade em áudio. A única coluna do mundo cujos altifalantes, incluindo o de graves, são montados numa geometria concêntrica. Nem por isso tocaram bem, hélas.
Prémio Excentricidade
Sem dúvida que o prémio só pode ser atribuído à versão ‘Tournaire’ dos auscultadores Focal Utopia, piscando o olho aos oligarcas russos e aos príncipes das Arábias. Fala-se em 100 mil euros!
Mas o gira-discos Acoustic Solid Diamant não se fica atrás. Com uma diferença: as jóias do Diamant são falsas, e as do Tournaire são verdadeiras!
Prémio Fealdade
Há quem lhes atribua epítetos de originalidade. Nos Metaxas Marquis Preamplifier ‘fast as the devil’ e o Solitaire Power amplifier, eu só consigo descortinar ‘fealdade’ nas formas e nas cores, tudo é ‘kitsch’. Num aspecto, concordo: são fotogénicos!
Prémio Festividade
A Avantgarde ofereceu aos visitantes uma autêntica festa popular com a actuação do percussionista Oded Kafri, que utilizou as novas Trio Luxury como PA. Houve palmas, coros improvisados, muitos risos e boa disposição. Sala sempre a abarrotar.
Prémio Fidelidade
A Tannoy mantém-se fiel aos modelos, eu diria ‘mobiliário’, do século passado. E continua a vender bem no presente, o que significa que a fidelidade do som e a dos clientes é recíproca.
Este ano relançou a série Legacy mais barata (não é a que está na foto). Para quem disse que a Tannoy ia fechar, eis a resposta...
Prémio Futilidade
Certos equipamentos de som são um exercício fútil. Nunca consegui ouvir as JoSound tocar algo que se parecesse com o que eu entendo ser ‘alta fidelidade’, muito menos highend. A coloração é tão evidente que espanta que não a oiçam.
Prémio Gravidade
O Apolyt é o gira-discos mais pesado do mundo – e um dos mais caros. Pesa cerca de 200 quilos! Eu preferia um cofre de 200 quilos com o dinheiro que ele custa lá dentro guardado…
Prémio Habilidade
Andrew Jones, que antes o homem por trás da TAD e está agora na Elac, tem capacidades técnicas e criativas invulgares.
Depois das excelentes colunas de som TAD de preço quase inacessível para a maioria, faz agora o mesmo por uma fracção do preço na Elac.
As Adante AF62 vão ser um sucesso no mercado audiófilo. Garantido.
Prémio Hospitalidade
A Gato Audio fez tudo para que os visitantes se sentissem em casa. Até tinha uma vídeo-lareira acesa para dar ambiente. O melhor décor do High End 2017, depois da McIntosh.
Prémio Originalidade
Constellation Leo, ou como ser diferente entre iguais. Já há tantos sistemas destes que não é fácil fazer diferente. O Leo é diferente.
Prémio Imprevisibilidade
O mercado é assim, imprevisível. Como a vida, de resto. E damos connosco a falar sozinhos, quando há filas na porta ao lado. Life is a bitch and then you die…
Prémio Iniquidade
Blumenhofer Acoustics. Afirmar, como eu já li algures, que este som de ‘caixote de sabão’ das Grand Gioia MkII foi um dos melhores do High End 2017, leva-me a duvidar da minha própria capacidade para ouvir e discernir o que é som de qualidade. Talvez para o ano as MkIII…
Prémio Imponderabilidade
O gira-discos LEV-MAG, cujo prato levita como se não houvesse gravidade, deve ter sido inspirado na vida a bordo da estação espacial. Um prato que não tem qualquer contacto físico com a base não tem, em teoria, qualquer vibração, ressonância ou fricção. E vai custar tanto como uma missão ao espaço? Não, apenas 1500 euros!...
Prémio Intrauralidade
Agora está na moda ‘espetar’ as colunas de som nos ouvidos. Daí a surgir um mercado de luxo de ‘supositórios auriculares’ foi um passo. E conseguir fabricar auscultadores intra-auriculares planar magnéticos do tipo aberto é um feito tecnológico notável. São para colocar nos ouvidos, mas custam os olhos da cara (cerca de 2 mil euros)…
Prémio Lealdade
E já no final do show, quando todos os outros se foram embora, ela ficou ali na sala da Auralic, como que hipnotizada pelo que ouvia. A isto chama-se lealdade. E não é esse o objectivo de todos os fabricantes, ter clientes assim leais?...
Prémio Longevidade
Quando a principal atracção de um ‘show’ de novidades tecnológicas na área da reprodução de som é uma coluna de 1930, como esta Western Electric Mirrophonic, começamos a duvidar da capacidade da ciência para compreender a música. Foram construídas para o cinema sonoro. Não por acaso, têm uma imagem estereofónica IMAX…
Prémio Lugubridade
Há expositores que parecem ter um secreto desejo de nos ‘lixar’ as fotografias. O distribuidor da Von Schweikert mergulhou todo o espaço num azul sideral, distópico, angustiante. O som até nem era mau. Mas ao fim de um tempo, eu sentia que me estava a afogar, à noite, num mar de música…
Prémio Luminosidade
A sala da Kawero/Kondo é sempre a mais iluminada do MOC. De som e de luz. Se ao menos todas as salas fossem assim, os fotógrafos agradeciam. Nunca há ‘grão’, nem nas fotos nem no som…
Prémio Motricidade
A Estelon Linkx é, e cito, uma ‘intelligent wireless speaker’ e ainda: ‘software defined modulator’ e funciona com combustível DSD512. Mais: o corpo preto sobe e desce na manga branca como a cabeça de uma tartaruga. Fantástico! Só lhe falta tocar música de forma inteligente também…
Prémio Monstruosidade
Ascendo ‘MonsterSub’ de 50 polegadas, o maior altifalante de subgraves jamais construído. Custa 50 mil euros e garante um valente susto aos vizinhos, que vão fugir para a rua pensando que é um terramoto. Já há discotecas interessadas. Adivinham-se muitos processos e coimas nos bairros de Lisboa e Porto…
Prémio Naturalidade
E não é só pelo verde da natureza. A Cessaro Gamma soa maravilhosamente natural. Assim, digamos, sei lá, como se fosse música. E não é isso que se pretende?,,,
Prémio Novidade
Riviera. Uma marca que ninguém conhece e que em breve vai passar a conhecer em Portugal. Design retro, tecnologia futurista.
Quem será o distribuidor?...
Prémio Omnidirecionalidade
MBL, a única coluna do mundo realmente omnidireccional. O princípio da esfera pulsante levado à prática com sucesso. Uma forma diferente e cativante de reproduzir e ouvir música. Wunderbar!
Prémio Passividade
Quem disse que uma coluna activa soa sempre melhor que uma passiva. Passividade não significa inferioridade. E a Stenheim Reference Ultimate provou-o à saciedade.
Prémio Portugalidade
A Innuos actua por terras de Sua Majestade, mas é uma empresa bem portuguesa, do Algarve, como os doces de amêndoa.
Apresentou a versão do media server Innuos Zenith Special Edition, com uma nova fonte de alimentação, completamente redesenhada para eliminar ainda mais o ruído, que já era inexistente. Ler o teste do Hificlube aqui.
Um ´server’ é como um diário onde guardamos todos os momentos musicais da nossa vida. Basta abrir uma qualquer página com o dedo no ecrã do telefone para os reviver num instante. Para sempre.
Um Zenith e um par de colunas activas da Dynaudio: that’s all you need folks?...
Prémio Privacidade
Eu sou um fã dos auscultadores, pronto, já disse. Sobretudo dos planarmagnéticos Hifiman HE1000, que utilizo como referência. Os Hifiman Shangri-la são electrostáticos e vêm acompanhados por um amplificador a válvulas dedicado. O preço: cerca de 50 mil! Será Shangri-La ou Oh-La-La!...
Há quem pense que é por uma questão de privacidade. Neste caso, não é, porque são ‘abertos’ e deixam passar a música para que os outros percebam também qual o motivo de tanto prazer…
Prémio Prolificidade
Dan D’Agostino é um dos mais prolíferos fabricantes de high end da actualidade. Depois dos monoblocos Progression, havia rumores de que ia apresentar a versão estéreo. E assim foi.
Mas ainda trouxe com ele outra novidade: o Progression Preamp, com entradas analógicas e digitais!...
Prémio Religiosidade
Na sala da Living Voice, sente-se a religiosidade de quem lá vai – e fica horas – para se encontrar com o deus do som em profunda reflexão interior. As ‘cornetas’ Palladium são, aliás, uma das muitas provas da existência de Deus: oiçam-nas a tocar Callas…
Prémio Retroactividade
Quem comprou os Audioquest Red e Black pode agora sem custos fazer o upgrade de firmware para o tornar compatível com MQA.
Prémio Rotatividade
Focal Utopia Grand, uma coluna capaz de pôr a cabeça de qualquer um à roda. E alia a flexibilidade de ‘rins’ à qualidade de som.
Prémio Saudade
Entrar na sala da Franco Serblin, onde estavam a tocar as Ktema com amplificação Accuphase, e ver a fotografia do mestre bateu-me forte no coração. O mestre morreu, mas a sua obra ficou e a saudade também.
Prémio Sentimentalidade
Sentei-me com a minha esposa, mesmo na fila da frente, na sala da Absolare. Ouvia-se jazz em LP, tocado num Kronos. Colunas: Rockport Lyra. A amplificação era a novidade: Absolare Hybrid. De repente, ouve-se Mariza a cantar ‘Maria Lisboa’. Ora, digam lá: foi um gesto simpático, ou não?
Prémio Solidariedade
O fabricante ucraniano Voyla ofereceu um par de colunas NoLimits, no valor de 30 mil euros, para ser leiloado, sendo a receita para entregar a um hospital pediátrico. Um gesto bonito vindo de umas colunas feias.
E não, o ‘woofer’, ao contrário do fabricado pela Ascendo (ver ‘Monstruosidade’) não é verdadeiro, é apenas o ‘design’ da caixa em madeira…
Prémio Sonoridade
Há uma sonoridade VTL que ficou bem patente no dueto com as gigantescas Albedo Altesia: amplitude, corpo, textura
Prémio Transitoriedade
Ser ou não ser, eis a questão. Ouvir música com os oBravo HAMT2 a pensar na transitoriedade da vida. Chiça! Pensar na morte quando a música é vida…
Prémio Vacuidade
Por aquilo que ouvi aos amplificadores Art Deco, a ‘vacuidade’ não se aplica apenas à tecnologia do vácuo. Há um vazio de prazer também…
Prémio Versatilidade
A capacidade da Monitor Audio de se adaptar às exigências do mercado, respondendo às necessidades dos seus clientes fiéis com produtos cada vez melhores, é notável.
A Monitor Audio Silver, que já vai na versão 6, além de muito completa, toca muito bem e tem um design muito apelativo.