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Eversolo DMP-A10 e F-10: delícias de chocolate negro - Follow Up.

Eversolo A10-F10 - duo.jpg

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Esta é a continuação da minha análise do Eversolo DMP-A10, sendo o AMP F-10 (€2.599) a sua extensão elétrica e estética natural. Um duo difícil de bater pelo preço, no qual o DMP A-10 é o cérebro e o F-10 o músculo.

Tinha prometido voltar ao Eversolo DMP-A10, quando o seu parceiro AMP F-10 chegasse às minhas mãos. Ei-lo, depois de esperar quase dois meses por ele. A Eversolo não tem mãos a medir e tem dificuldade em produzir amplificadores suficientes para a procura. Está tudo dito. Nota: agradeço a Eki Shaw e à Delaudio por ter tornado este teste possível.

São cor de chocolate negro e soam a chocolate negro.

Tal como eu tinha previsto, o DMP-A10 e o AMP F-10 fazem um par perfeito: no design, na construção robusta (18 Kg) e cuidada e no som que fazem juntos. São cor de chocolate negro e soam a chocolate negro: sabor complexo e agradável, sem ser demasiado doce, que nos dá energia para todo o dia. Apetece sempre mais um bocadinho.

E também tinha razão sobre as alhetas de dissipação laterais do A-10 fluírem para o design do F-10: a estética e as dimensões alinham na perfeição, sendo o F-10 mais alto e mais pesado, claro; e até os vuímetros de ambos podem dançar juntos, embora as agulhas do F-10 pareçam ser mais nervosas e tenham uma má escolha de iluminação: o painel devia ser translúcido e uniformemente retroiluminado.

Já sabemos tudo o que o A-10 é capaz de fazer. E é muito. O F-10 é a extensão elétrica do A-10, amplificando os sinais que este lhe serve com requinte.

O F-10 é um amplificador de classe A/B, não de Classe D, como alguns pensavam. E debita 200W sobre 8 ohms, 320W sobre 4 ohms, e dispara para os 650W em ponte (vai precisar de dois, neste caso), sustentado por uma fonte de alimentação linear com um toroidal de 1000W e utiliza 5 pares de MOSFETs por canal no andar de potência. As medidas de fábrica apontam para uma distorção harmónica (THD) de 0,008%, relação sinal ruído (SNR) de 113dB e fator de amortecimento superior a 600.

Boas medidas dizem muito pouco sobre o desempenho efetivo de um amplificador em condições reais de utilização. Mesmo assim, é melhor tê-las do que não tê-las! Embora a realimentação negativa seja um pouco como as estatísticas: podemos torturar os números até darem a resposta que queremos.

Em conjunto, estes dois produtos constituem uma dupla moderna, versátil e dinâmica capaz de levar ao colo qualquer par de colunas. Neste caso nem era preciso tanto poder, porque o F-10 limitou-se a amplificar (e ajudar a comparar) um par de SF Concertino originais com as SF Concertino de 2024. Sobre a comparação, falaremos lá para abril.

Comecei por ligar o A-10 ao F-10 por cabo balanceado (prefiro a entrada RCA que é mais redonda) e ouvi este duo durante um período talvez demasiado curto para poder apreciá-lo na sua plenitude (a Delaudio precisava dele para o Hifishow 25).

O F-10 segura com firmeza as rédeas das colunas, mas  deixando-as respirar, apesar do elevado fator de amortecimento indicar um comportamento mais autocrático. Para minha surpresa, não exibiu o poder sónico que as especificações indicam: tem muitos cavalos, mas podia ter mais torque, embora se possa optar por 29dB de sensibilidade, em vez de 23dB.

Esta atitude democrática e liberal favorece o desenvolvimento natural de uma imagem estereofónica ampla, embora não particularmente larga e profunda, e com uma boca de palco próxima, mas sem que os músicos nos soprem na cara.

Tem o som característico dos andares de potência a MOSFETs, que muitos associam erradamente ao som macio das válvulas. Mas fica algures entre o calor destas e o som cru dos bipolares. Nos meus tempos de DIY, construí amplificadores a MOSFETs, e conheço bem o seu comportamento.

A frio, o som do F-10 é até um pouco seco e fino nos registos médios, e às vozes falta humanidade: no tom e no timbre (eu prefiro menos ênfase nos registos médio-altos, mas isso já é uma questão de gosto); os agudos apresentam-se com um brilho polido; e os baixos mantêm-se sempre tensos, intensos e extensos. O baixo é a coroa de glória do F-10.

O Eversolo AMP F-10 é o ‘partenaire’ ideal para o A-10.

Mas logo que aquece (deixei-o a queimar horas), o F-10 ganha tons de chocolate negro: ainda estaladiço, mas mais escuro e cheio de sabor e detalhe. As vozes soam agora cheias e encorpadas, mais ricas no timbre e no tom; os metais soam, digamos, ‘metálicos’; as cordas soam brilhantes, mas sem excesso de resina; e os baixos continuam a ser o ponto alto, passe a aparente contradição: poderosos e articulados. E melhora a cada dia que passa. Se eu passasse um mês com ele, isto ainda dava em casamento.

Neste conjunto, o DMP-A10 é claramente a vedeta. Mas, tal como num exercício de ginástica de forças combinadas, é preciso um base sólido e musculado e o Eversolo AMP F-10 é o ‘partenaire’ ideal para o A-10. Well done, Eversolo!

Audições: três das trinta faixas ouvidas

“Breakfast In Baghdad” de Youn Sun Nah

Abri com “Breakfast In Baghdad” da Youn Sun Nah, quem havia de ser? A famosa cantora de ‘jazz’ sul-coreana entrelaça a voz com uma precisão delicada e uma energia crua, sem esforço. Youn Sun Nah produz gravações de qualidade audiófila, com um som impecável que capta cada nuance. A canção não tem palavras, por assim dizer; ela usa a voz como um instrumento, revelando toda a sua versatilidade. O F-10 foi com ela até Bagdade e sobreviveu à experiência, apesar da tensão que por vezes se sente no ar.

“Norwegian Wood”, The Beatles

Em “Norwegian Wood” (This Bird Has Flown), o duo Eversolo realça bem a delicada textura acústica desta faixa. O streaming preciso do A10 e o desempenho do DAC fornecem um sinal limpo, talvez limpo demais, enquanto a amplificação de 200 W Classe A/B do F10 fornece ampla potência às Concertino.

A voz de John Lennon é sublinhada pelo toque subtil da cítara de George Harrison, que soa cintilante e bem posicionada no palco sonoro, assegurando que a guitarra rítmica de John Lennon não se confunde na mistura. O elevado fator de amortecimento do F-10 mantém os graves firmes, permitindo ouvir distintamente o diálogo entre o pedal da bateria de Ringo e o baixo de Paul, nas pequenas Concertino, cuja resposta de graves, embora vigorosa para o seu tamanho não seja tão profunda como a de umas colunas maiores.

“Memórias de um beijo”, pelos Trovante

Agora dá-me para a nostalgia e vou ouvir os Trovante, no seu auge, com Represas, cantando com aquela voz inconfundível:

As memórias são como livros escondidos no pó

As lembranças são

Os sorrisos que queremos rever, devagar

O som do disco foi reforçado na produção por reverberação eletrónica judiciosamente aplicada, sem perda de transparência e claridade. Ouvi de novo o disco todo, devagar, como um sorriso que queria rever. O duo A10/F10 sorriu também. Boa, Eversolo!

Nota: os leitores podem ouvir este duo numa das salas da Delaudio, no Pavilhão dos Congressos, do Estoril, ou podem seguir a nossa reportagem do evento.

Eversolo A10 F10 duo


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