Delaudio950x225
Publicidade


Reviews Testes

Acoustic Energy AE1 40th Anniversary – Compacta e dinâmica

Acoustic Energy AE1 - foto capa.jpg

 

Read full review in English here

Há produtos que nunca envelhecem. Pelo contrário, parecem rejuvenescer à medida que os anos passam, como as AE1.

A AE1 é uma coluna com história para gente que sabe o que quer: velocidade, dinâmica e ataque, tão ao gosto de Phil Jones, o seu criador. E, claro, graves que desafiam as leis da Física.

Phil Jones, o pai da AE1

A Acoustic Energy AE1 nasceu em 1987, quando Phil Jones decidiu demonstrar que uma coluna pouco maior do que uma caixa de sapatos podia tocar alto, com graves capazes de fazer esquecer as inevitáveis limitações impostas pelas leis da Física.

Phil Jones, conhecido por ser um ‘bass freak’ (toca guitarra-baixo), viria depois a seguir outros caminhos, mas a sua semente ainda hoje dá frutos. Eis a  AE1 40 anos depois.

Capa da reportagem da CES 97 (DN/DNA janeiro 1997)

Capa da reportagem da CES 97 (DN/DNA janeiro 1997)

Ainda me lembro do nosso encontro, na CES 1997, em Las Vegas. Já tinha, então, uma nova empresa, a Platinum Audio e, num quarto atarracado do decrépito Alexis Park, demonstrou-me um par de colunas que se situava nos antípodas das AE1: as monumentais Air Pulse 3.1, colunas de corneta integral que custavam cem mil dólares (há 30 anos!), segundo escrevi então na reportagem do DNA/Diário de Notícias.

Da pequena AE1 às mastodônticas Pulse, a distância física era enorme; a distância filosófica, talvez nem tanto: Jones sempre se mostrou interessado sobretudo na dinâmica, na velocidade e na capacidade de reproduzir música sem compressão. E se as Pulse pulsavam graves!...

Phil Jones e as incríveis Platinum Audio Air Pulse 3.1

Phil Jones e as incríveis Platinum Audio Air Pulse 3.1

O regresso da AE1

Quase quarenta anos depois, a AE1 está de volta, embora hoje Phil Jones já só seja citado por ser o pai da versão original.

Mas atenção: a AE1 40th Anniversary não é a velhinha AE1 retirada de um armazém, polida e vendida com uma placa comemorativa. Não tem sequer uma única peça da coluna original, até porque as ferramentas de produção antigas já não existem. Esta foi uma das razões pelas quais a última AE1 Classic desapareceu em 2016.

Caixa de sapatos de verniz

Assim, a Acoustic Energy teve de reconstruir a nova AE1 a partir da memória técnica da original, recriando-a, sem destruir aquilo que a tornou lendária.

A grelha magnética permite eliminar os orifícios de fixação e os acabamentos em High Gloss Walnut e High Gloss Black (a versão que me tocou) levam dez camadas de verniz, conferindo à pequena AE1 um aspeto muito mais luxuoso do que o da austera versão original.

A AE1 original ficou célebre, entre outras extravagâncias, pelo revestimento interno da caixa com uma espécie de cola de cimento, destinada a aumentar a rigidez e a controlar as ressonâncias.

 

O mesmo tempero, o mesmo paladar

Na versão 40th Anniversary, a Acoustic Energy utiliza a sua tecnologia atual RSC – Resonance Suppression Composite, com painéis de HDF e uma camada amortecedora betuminosa, que eu também utilizava nas colunas que fui construindo ao longo dos anos; por isso, sei do que falo.

Mas há aqui um delicioso truque: desta vez a ideia não era apenas tornar a caixa totalmente inerte; era ajustar a ressonância interna para que se comportasse acusticamente de forma semelhante à da caixa original. Ou seja: utilizaram tecnologia moderna para reproduzir corretamente uma característica antiga. Chapeau!

Cones de alumínio

As dimensões mantêm-se: apenas 29,5 × 18 × 24 cm, mas com uns surpreendentes 7 kg por coluna. A frente continua dominada pelo altifalante de médio/grave de cone metálico e pelo tweeter, também de alumínio, acompanhados pelo duplo pórtico reflex frontal, agora com um perfil arredondado, também no interior, para controlar melhor o fluxo de ar e reduzir a turbulência.

Os altifalantes são totalmente novos. O médio/grave passou para 125 mm, com cone de alumínio anodizado e endurecido por uma camada cerâmica em ambas as faces. A maior área radiante aumentou ligeiramente a sensibilidade, permitindo deslocar mais ar e reduzir a distorção. O motor recebeu um anel de curto-circuito (shorting ring) para reduzir as componentes espúrias da distorção magnética.

O tweeter tem agora uma cúpula de alumínio anodizado de 29 mm, com câmara posterior de absorção e ferrofluido para melhorar a dissipação térmica e reduzir a compressão.

Como os novos altifalantes funcionam melhor nos limites da sua zona de trabalho, o filtro é agora também mais simples e menos intrusivo e a frequência de transição situa-se nos 2,8 kHz.

A resposta declarada é de 50 Hz a 45 kHz (±6 dB), a sensibilidade de 87 dB/2,83 V/m, a impedância nominal de 6 ohm e a capacidade de potência chega aos 150 W, o que é notável para uma coluna tão pequena.

 

Aperitivo de válvulas

A avaliar pelos números, as AE1 não parecem ser especialmente difíceis de alimentar. Mesmo assim, eu não aconselho a ouvi-las alimentadas por um amplificador a válvulas de 8 W, como o LAB12 Mighty, e depois telefonar ao distribuidor a dizer que faltam graves.

Mas não resisti e experimentei mesmo assim. E não faltaram graves. Pelo menos os graves possíveis (-6dB aos 50 Hz relativos a 200Hz). A AE1 gosta de corrente. Isso foi óbvio. Assim, optei por um NAD M33 V2 para o trabalho mais pesado.

O que ficou provado nesta experiência é que, tonalmente, as AE1 adoram válvulas.

A beleza nos olhos de quem ouve

Quarenta anos depois, a primeira coisa que continua a surpreender na AE1 é a discrepância entre o que os olhos veem e o que os ouvidos ouvem.

Não há aqui milagres. Uma caixa com 29 centímetros de altura não reproduz os 25 Hz da guitarra baixo de Phil Jones com a autoridade visceral de uma coluna de 4-vias equipada com dois woofers de 25 cm. Quem comprar uma AE1 à espera de fazer as janelas tremerem ou receber um soco no estômago, comprou a coluna errada. Ou então, precisa de um subwoofer.

…a velocidade é o ingrediente secreto das AE1.

Ter não é o mesmo que ser

Muito mais interessante é aquilo que a AE1 consegue fazer com o grave que efetivamente reproduz: é rápido, tenso, articulado, com uma autoridade dinâmica fisicamente incompatível com o volume da caixa, sem perder aquela velocidade transitória que sempre definiu a série. Ora, a velocidade é o ingrediente secreto das AE1. Junte a isso a limpeza do som, que nunca traz adiposidades agarradas, leia-se arrastamento.

Sons de bateria surgem e desaparecem sem adiposidades: o impacto na pele e a ressonância que se segue são bem distintos; a linha de baixo nunca se transforma numa sequência de notas redondas e indistintas: não é por ter muito grave que uma coluna é mais musical; é por ter melhor grave.

As guitarras têm ataque, corda e madeira, e a música mantém aquela capacidade de arrancar subitamente do negrume do silêncio que muitas colunas maiores e aparentemente mais poderosas não possuem, por serem mais lentas a vencer a inércia. Além disso, a AE1 é invulgarmente consistente com todos os géneros musicais: do country à música barroca.

Imagem ao seu gosto

As AE1 também são notáveis nos domínios da estabilidade e da coerência da imagem estereofónica.

Afaste-as uma da outra e afaste-se delas, sentando-se no vértice do proverbial triângulo equilátero, e vai ficar surpreendido com a amplitude do palco. Ou então, opte por ouvi-las no campo próximo (como eu prefiro), reduzindo assim os reflexos secundários da sala e espante-se com o poder de resolução.

Compare, por exemplo, a imagem criada em estúdio de ‘Bubbles’, de Yosi Horikawa, com a acústica natural de Vivaldi — ‘O Verão’, III. Presto, Rachel Podger e Brecon Baroque, Le Quattro Stagioni.

 

Requinte e transparência

Não me lembro das AE1 originais soarem assim tão requintadas e transparentes, talvez porque o agudo esteja agora também mais maduro – a ternura dos 40?

A antiga AE1 era implacável quando a gravação, o amplificador ou ambos decidiam colaborar no crime de lesa-música. A nova versão mantém o brilho e a vivacidade, mas elimina aquele ligeiro pós-boca metálico que podia ser confundido com agressividade, se a memória auditiva não me falha. Em ‘Keith Don’t Go’, de Nils Lofgren (Acoustic Live), o brilho e energia das cordas nunca se transformam em estridência indistinta.

Os pratos de bateria são agora mais limpos e definidos, sem perder a energia inicial: oiçam o solo de Joe Morello, em ‘Take Five’, do clássico Time Out de Dave Brubeck.

É verdade que as gravações duras continuam a soar duras, mas já não colocamos os discos imediatamente de parte para sempre.

A AE1 é invulgarmente consistente com todos os géneros musicais: do country à música barroca.

As minhas velhas Sf Concertino têm uma textura mais densa e complexa e uma apresentação tonal mais neutra, talvez até demasiado neutra; quase aborrecida em comparação, pois a AE1 mantém aquela projeção na gama média que sempre definiu a sua personalidade e a tornou um sucesso de vendas, e nos permite ouvir a clareza das consoantes e a continuidade das vogais na voz de Allison Krauss, em ‘Paper Airplane’.

Folha de Excel não é pauta

Existe hoje uma tendência para avaliar as colunas como se fossem instrumentos de laboratório: mais planas, mais lineares, com menor distorção, maior extensão e melhor direcionalidade. Tudo muito correto no papel. Mas a música não é uma folha de Excel – é uma pauta.

A AE1 tem caráter, admito, pois foi criada como uma alternativa ao som BBC. O grau de neutralidade será maior ou menor consoante a sensibilidade do ouvinte. Mas não nos distrai do essencial: a música.

 

Platinum Audio Pulse 3.1

Platinum Audio Pulse 3.1

Preço acessível

O par compra-se por €1.699. Um preço razoável e acessível para uma mini-monitora muito bem construída (os bornes podiam ter mais qualidade), compacta, relativamente fácil de colocar graças aos pórticos frontais, capaz de aceitar amplificação mais ambiciosa do que o preço sugere e dotada de uma combinação rara de velocidade, dinâmica e entusiasmo musical.

Claro que a Acoustic Energy tem colunas de chão de 2 e 3-vias, por metade deste preço. Mas isto é o preço a pagar por uma monitora lendária. Esta é a AE1 que Phil Jones gostaria de ter construído em 1987 se tivesse à disposição a tecnologia de 2026.

Depois de o ter encontrado em Las Vegas, em 1997, diante daquelas absurdas Platinum Air Pulse 3.1 de cem mil dólares, não deixa de ser divertido concluir que uma das suas ideias mais duradouras continua afinal a caber debaixo do braço.

 Vá à IMACUSTICA ouvir toda a gama Acoustic Energy.

Acoustic Energy AE1 foto capa

Capa da reportagem da CES 97 (DN/DNA janeiro 1997)

Phil Jones e as incríveis Platinum Audio Air Pulse 3.1

Platinum Audio Pulse 3.1


Delaudio950x225
Publicidade