Read full review in English here
Em julho de 2025, publiquei no Hificlube: ‘Musical Fidelity B1 xi – O Espírito do Tempo’. Um ano depois, tenho nas mãos o m6xi, uma versão musculada do B1xi, com 5 x mais potência e 5 x mais caro.
A versão xi (€3.300) utiliza a mesma plataforma analógica do m6si, acrescentando-lhe funcionalidades digitais, para adaptá-la ao espírito do tempo, tal como o B1xi, que eu apodei de ‘choque de adrenalina’. Calculem agora a adrenalina de um amplificador integrado com o mesmo ADN e cinco vezes mais potência!
Mas vamos por partes.
O Musical Fidelity m6xi, assim mesmo, com letra minúscula, é da velha escola britânica do mestre Antony Michaelson, clarinetista virtuoso e audiófilo convicto, de quem Heinz Niggerlicht, do Grupo Audio Tuning (Pro-Ject), atual dono da Musical Fidelity, adotou a política de atacar a música com energia.
Herdeiro do Titan
Quem gosta de um som autoritário precisa de um amplificador com corrente, controlo, estabilidade, silêncio de fundo e capacidade dinâmica, algo que Michaelson sempre tentou emular nos seus topos de gama, como os Titan. É este ainda o credo pelo qual se rege o m6xi, onde ‘x’ já não é uma incógnita, é uma certeza.
Mantém a génese analógica do m6si e acrescenta-lhe conectividade digital para uma integração mais contemporânea, sem deixar de ser um amplificador analógico – e não apenas uma caixa de software com saídas para colunas. Não há displays luminosos nem touchscreens: nada de floreados decorativos que o possam catalogar como ‘luxury lifestyle’, a não ser os mini LEDs azuis.
Nem sequer tem saída para auscultadores. Apenas duas fiadas de pequenos botões de pressão identificados com as respetivas fontes, ladeando o enorme botão rotativo de volume, todos de cor cinza, em contraste com o negro baço do conjunto (Nota: há uma versão integralmente cinza/silver).
O chassi em alumínio, com painéis frontais, laterais (dissipadores) e superiores (tampa) maquinados a partir de perfis extrudidos de alumínio, tem presença física e peso (16 kg), mas também tem aquela sobriedade que o resgata da aparência de força bruta, porém civilizada, que sempre foi apanágio da marca.
O botão de volume ativa internamente um atenuador Burr-Brown que regula o sinal analógico, por meio de resistências controladas digitalmente, garantindo um melhor equilíbrio entre os canais sem afetar a qualidade do sinal.
O logótipo m6xi está gravado numa placa discreta de alumínio brilhante no topo esquerdo do painel, exibindo ainda o predicado de dual mono integrated amplifier, seguindo-se a assinatura by Musical Fidelity, para que não restem dúvidas.
Um PT para manter a música em forma
Há algo de austero nesta robustez de ferramenta de trabalho que qualquer crítico gostaria de ter na sua oficina. Porque agarra as colunas e, tal como um personal trainer no ginásio, obriga-as a cumprir o plano até perderem o excesso de gordura, exibindo apenas os músculos e a elasticidade (que dinâmica!) e dando aquela sensação rara de que a música flui com naturalidade, sem esforço mecânico aparente.
A topologia interna deriva da plataforma Titan, que a Musical Fidelity introduziu em 2008, assente numa configuração duplo-mono e num estágio de saída Darlington, em que pares de transístores ligados em cascata funcionam como se fossem um só, mas com ganho de corrente muito superior ao de um único transístor.
A alimentação segue uma arquitetura analógica clássica, centrada num transformador toroidal, eliminando o ruído de alta frequência e as interferências eletromagnéticas normalmente associadas a fontes comutadas.
Nota: O transformador é um pouco ruidoso quando ligamos o amplificador, mas sossega quando estabiliza.
Funções contemporâneas
Tal como o m6si, mantém as entradas XLR e a preciosa entrada phono MM/MC, além das entradas analógicas RCA habituais: CD, Tuner, 2 x Aux (uma delas com home-theatre bypass) e ainda pre-out e line out. Mas acrescenta HDMI ARC, entradas digitais ótica e coaxial, entrada USB-C digital (192/24), no lugar da modesta USB-B (96/24).
Ou seja, a Musical Fidelity oferece no m6xi as funções que lhe permitem sair do universo idealizado do audiófilo purista e dialogar também nas salas reais de 2026 com: a televisão, o streamer externo, o PC, o subwoofer, o sistema AV (home cinema bypass), o gira-discos. Mas não com o telefone, pois não tem Bluetooth.
Potência e técnica
A potência declarada é de 230W/8 ohms e de 390W/4 ohms. Como se isto não fosse já suficiente, o m6xi consegue debitar 760W/ 2 ohms. Um poço de força, portanto, com reservas de corrente suficientes para lidar com colunas difíceis. Pegou nas minhas modestas colunas Sf Concertino, que são pequenas, mas têm mau feitio, com a mesma facilidade com que o Príncipe Siegfried, do Lago dos Cisnes, levanta Odette, o Cisne Branco, no ar. E na orquestra em peso também!
Dispensei o controlo remoto porque também gosto de rodopiar o botão de volume. E utilizei apenas duas fontes: USB e CD. Na entrada USB-C, liguei um streamer Node Icon; na entrada CD, liguei o meu fiel Oppo BDP-95. Preferi a entrada USB-C, o que significa que a MF parece ter resolvido os problemas do DAC do m6si. Liguei-o a um par de Sf Concertino, que tinha ali à mão.
Sou como o outro que chuta sempre com o pé que tem mais à mão. De facto, o m6xi tem a técnica, o poder e a velocidade dos grandes avançados-centro. Sabe ler o jogo (a música) e nunca perde uma nota, dominando-a sempre com classe no campo todo.
O poder do amor
Por exemplo, estou agora a ouvir My Love Is por Diana Krall: o estalar dos dedos tem uma definição notável, marcando o tempo sobre a linha do contrabaixo, também ela bem definida, acompanhando o swing patente na voz de Krall, que soa doce e sensual, mas com autoridade e intenção.
Sara K., outra favorita dos audiófilos, canta I Can’t Stand the Rain. Os bordões eletrificados da guitarra e da harpa abrem o caminho para a voz, enquanto o pedal da bateria marca o ritmo. Cada batida parece ter um significado próprio, diferente no tempo e no impacto, como se traduzisse em código Morse a letra que Sara canta.
Por falar em grave cantante, já ouviram Celestial Echo, por Malia? É um misto de percussão natural e sintetizada, que funciona como uma camada de pétalas macias, sobre as quais Malia se rebola e arfa sensualmente. O m6xi obriga as pequenas Concertino a descerem mais fundo, mas sempre com um braço forte a ampará-las. A questão do baixo fator de amortecimento do m6si também parece ter sido bem resolvida.
A Sunday Kind Of Love é uma carta de amor pragmática, cantada ao vivo no Village Vanguard, por Mary Stallings, e escrita numa caligrafia burilada pelos dedos mágicos de Eric Reed, o pianista; enquanto o baterista, de vassouras em punho, e o contrabaixo parecem estar ali apenas para apreciar o diálogo entre Mary e Eric Reed, mantendo-se discretos no palco. O público, claro, está rendido aos encantos do casal e manifesta-se com incentivos verbais e palmas. Eu também. Yeah!
Long After You Are Gone, por Chris Jones, proporciona ao m6xi uma excecional reprodução do decay das notas graves e altas das guitarras, que Chris aproveita como as águas lentas de um rio para navegar placidamente com a sua voz melancólica. Só costumo ouvir isto tocar assim com amplificadores high-end. Será o m6xi um amplificador high-end? Vá ouvi-lo e descubra por si.
O m6xi respeita a beleza da simplicidade e sustenta a força da complexidade.
Conclusão
Podíamos ficar aqui toda a tarde. Assim, fecho com as mesmas palavras que escrevi para definir o B1xi, que tem o mesmo ADN: ‘há aqui um equilíbrio tonal, que tanto respeita a beleza da simplicidade como sustenta a força da complexidade’. Bonito. Só que o m6xi vai ainda mais longe – cinco vezes mais longe: na potência, na qualidade e…no preço!
Ideal para colunas difíceis de levantar do chão, em termos de sensibilidade e impedância, não necessariamente de peso...
Distribuidor Ibérico:
Revendedores nacionais:












